“Família Beliér”
Os filmes franceses conseguem sempre reportar a verdadeira
realidade do povo. Conseguem retratar o quotidiano na perfeição e vão buscar
atores e actrizes como nós, pessoas normais.
Obviamente que os argumentistas têm todo o mérito neste
feito. O facto de conseguirem retratar tão bem a realidade é de se lhes tirar o
chapéu. Parecem ser escolhidos a dedo para escreverem e construírem enredos
honestos.
Esta “Família Bélier” tem tudo para ser uma família como
tantas que há por aí. São personagens reais com as suas dificuldades e paranóias,
têm momentos delirantes, coisa que todas as famílias têm.
Nesta família, há uma filha – Paula - que ao contrário dos
pais e irmão que são surdos, ouve na perfeição desde que nasceu e descobre que
tem uma boa voz nas aulas de Coral. Paula ajudou sempre os pais no trabalho, na
quinta onde vivem, na venda dos queijos, que produzem, e estes nunca se
sentiram excluídos na sociedade por terem esta preciosa ajuda. Paula tem uma
vida de adolescente normal, com as amizades e paixões. Mas está na altura de
seguir com a sua própria vida e com os seus sonhos. Está na altura de crescer.
Atente-se a cena no quarto onde os pais discutem; as canções
francesas que nos fazem ficar com lágrimas nos olhos – maldita “Je Vole” que
Paula canta na audição em Paris e ao mesmo tempo faz a tradução em linguagem
gestual para que a sua família perceba o seu significado.
A Família Bélier é tocante e cheia de amor. A não perder,
sem dúvida.

Comentários