Os dias passam apressados e começam ainda de madrugada.
Entro no meu carro mal o relógio marca as 5 da manhã. Vinte minutos depois estou a chegar ao meu trabalho.
Finda a formação teórica enfrento mais um dia de on job training, uma espécie de estágio de preparação para o trabalho on field. Agora a minha vida rege-se por muitas siglas e um inglês que começa a ser cada vez mais a minha segunda língua.
Três semanas de prática preparam-nos para o trabalho real. Ando tão assustada como entusiasmada. É possível este sentimento? É.
Posso abrir um bocadinho o véu: entrei para o mundo da aviação, e sirvo uma importante companhia aérea portuguesa. Nada sabia sobre este mundo mas cada dia me embrenho mais e mais e vai-se tornando num vício: agora olho o céu e vejo aviões e a mística a que sempre associei este universo, alterou-se um bocadinho e, a cada dia que passa percebo melhor o seu funcionamento. No início é muito confuso e parece que nunca vou perceber a engrenagem da coisa mas essa sensação passa e quando passar totalmente vai ser mais entusiasmante que nunca. Já percorri o aeroporto de uma ponta à outra e posso adiantar que aquilo é um mundo! E à medida que o conheço mais e mais e lá vou passando os meus dias, vai-se tornando um bocadinho a minha casa.
Há uns tempos queria ser "menina" de check-in e agora que o consegui vejo que de glamour é só mesmo a farda porque a função é de uma enorme responsabilidade. Nunca tive tamanha responsabilidade. Mas ser TTAE não é só ser "menina" de check in. As tarefas são muitas: portas de embarque, acolhimento... um sem fim de funções relativas a rotação de aeronaves. Se isto falha o avião fica em terra ou o passageiro não embarca.
Há uns tempos queria ser "menina" de check-in e agora que o consegui vejo que de glamour é só mesmo a farda porque a função é de uma enorme responsabilidade. Nunca tive tamanha responsabilidade. Mas ser TTAE não é só ser "menina" de check in. As tarefas são muitas: portas de embarque, acolhimento... um sem fim de funções relativas a rotação de aeronaves. Se isto falha o avião fica em terra ou o passageiro não embarca.
O verão está à porta e o tráfego no aeroporto aumenta exponencialmente. Estou habituada ao contacto com o público, por isso sei que estou preparada. Sinto já alturas de extremo desgaste mas nada como um bom sorriso e um discurso coerente e firme e os passageiros acalmam-se. Já sei o bê-á-bá do atendimento ao público: um sorriso funciona sempre. Quanto mais irritados estão mais simpática e sorridente sou. Ganho sempre... e eles baixam um bocadinho a crista. Há passageiros que gritam connosco porque não querem que as suas bagagens sejam transportadas para o porão ou querem embarcar primeiro ou porque a zona de embarque que lhes foi destinada não é a ideal porque a fila é maior, ou porque o voo está atrasado ou alteraram a porta de embarque... Um sem fim de reclamações a que temos que fingir que estamos muito interessados porque nada daquilo nos interessa: é assim e nada podemos fazer para alterar. São regras. Temos que as cumprir.
Esta experiência é stressante, sim, mas compensa toda a energia dispensada. A aviação é viciante. Não é fácil, mas nunca ninguém disse que seria, pois não?!
*TTAE - Técnica de Tráfego e Assistência em Escala - Passageiros
*TTAE - Técnica de Tráfego e Assistência em Escala - Passageiros

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